Tautorama (da série Airshaft para Piranesi), 2013
Dimenção / Dimension
325 m2
Categoria / Category
installation
Material / Materials
Perfil de alumínio, alumínio composto, impressão digital em poliéster prata espelhado

TAUTORAMA – Ana Maria Tavares
“Dada a causa, a natureza produz o efeito 
no modo mais breve em que pode ser produzido." Leonardo Da Vinci

“Tautorama” é uma palavra inventada, fusão de tautologia (repetição de um mesmo pensamento, A1:I107 de diferentes maneiras) e hórama (palavra grega que significa “vista” ou “espetáculo”). O artifício de somar significados e criar espelhamentos são características presentes no trabalho de Ana Maria Tavares.
Os vídeos que abrem a mostra são registros de uma memória distante, uma natureza intocada. As imagens em preto e branco e slow motion sugerem uma dilatação no tempo. A divisão em diferentes telas e a repetição das cenas propõe uma suspensão da velocidade cotidiana em que vivemos e com que chegamos neste espaço, neste instante. Um prenúncio que prepara o olhar.
A sala principal revela, reflete e questiona. Revela o lado de fora, reflete o olhar da artista, questiona o próprio local expositivo. A retirada dos painéis que sempre taparam a visão exterior para quem estava no interior da sala foi o ponto de partida.
O gesto, aparentemente simples, foi despertado pela busca de poesia atrás das falsas paredes e fora da instituição.  A ação resgata a história e a beleza natural do lugar. Um ato performático que causa uma reação instantânea.
O revelar da exuberante natureza que circunda o prédio e a entrada franca da luz solar pelas vidraças do edifício são ecos da memória do local. Um resgate da proposta arquitetônica original de relação do prédio com o lado de fora, e vice-versa.  E,  com o passado mais distante daquela área, que antes da construção era mata.
O verde das plantas e a distribuição espontânea dos galhos, folhas e árvores criam um diálogo direto, quase um reflexo, com a série de fotografias “Airshaft”. O emaranhamento geométrico e assimétrico das imagens e a tonalidade predominantemente verde e cinza formam uma espécie de floresta artificial e arquitetônica.
As fotos expostas em grande escala, de forma semicircular, criam um ambiente imersivo que mescla visões naturais e artificiais, seja no reflexo percebido ou em sua inexistência. Ambiguidade também presente na relação com o tempo, passado e presente; com o espaço, interno e externo; e com a velocidade: aceleração e contemplação.
Afinal, a proposta é sentar, relaxar, respirar, observar, fruir e sentir a vista espetacular,  sempre igual e diferente, o "Tautorama" das diversas naturezas ao redor.

Daniel Rangel

foto de Pedro Perez Machado


foto de Pedro Perez Machado


foto de Pedro Perez Machado


foto de Pedro Perez Machado


foto de Pedro Perez Machado