Eu e Você (da série Caixa Cobra), 2026
Dimensão / Dimension
2 x 142 x 22 cm / 26 x 26 x 26 cm
Categoria / Category
tridimensional
Material / Materials
madeira, aço inox, impressão e metacrilato / wood, stainless steel, digital print and methacrylate

As obras “Eu e Você (da série Caixa Cobra)” e “Eu e Você (da série Caixa Poros)” constituem duas novas edições criadas especialmente para a Galeria Carbono, em dezembro de 2025.

Construídas em madeira, aço inox colorido e impressão digital, as obras apresentam uma relação de texturas e superfícies distintas, onde o rebatimento especular, em contraste com a opacidade da madeira em formato quadriculado, remete aos materiais recorrentemente encontrados na construção civil. Isso se dá não somente pelo formato, que lembra a malha da azulejaria, mas também pela escolha de um repertório de materiais da arquitetura, como fachadas espelhadas ou revestidas de mármores e granitos, ou os muxarabi — treliças vazadas típicas da arquitetura árabe e islâmica.

Constituídas por seis módulos quadrados de madeira, articulados por dobradiças que permitem a rotação de seus planos, as obras convidam à intervenção, alterando seu formato original e revelando novas volumetrias. Ao desviar de sua origem planar, ativam o espaço e assumem uma presença tridimensional, transformando a percepção do espectador diante de sua estrutura.

Esta nova edição se inspira em obras anteriores — “Fachadas Insanas” (2013), “Caixa Cobra” e “Caixa Poros”, ambas da série Condomínios (2022) — que questionam a noção modernista já naturalizada de uma vida organizada de forma racional e asséptica, a qual tem regulado nossa prática espacial e imposto todo tipo de acomodação comportamental.

Diferentemente de “Fachadas Insanas” (2013), uma obra-labirinto que convoca o corpo do espectador à imersão, as obras das edições Eu e Você, de escala menor, convidam o sujeito a intervir na malha racional que as estrutura, tomando decisões sobre suas novas configurações e formas volumétricas. Por meio de desvios de sua condição original, rígida e fixa, a malha se transforma, criando novos volumes e uma espécie de coreografia capaz de interromper e contaminar sua ordem original, transformando-a em um ‘corpo’ ou organismo mutante, continuamente capaz de se reorganizar.

Ana Maria Tavares

São Paulo, março 2026

foto: Gaspar Pini


foto: Filipe Berndt


foto: Filipe Berndt


foto: Gaspar Pini


foto: Gaspar Pini


foto: Gaspar Pini


foto: Filipe Berndt